Estava acostumada desde a infância a colocar indivíduos e circunstâncias em caixas, o que não é de todo ruim. Muitas vezes perguntava “fulano é do bem ou do mal?”, em um contexto político profissional, e quase sempre me garantiam uma resposta acertada. Os rótulos fazem parte da vida e não existiria sociedade sem eles, como diria um sociólogo. Somos guiados por etiquetas que nos direcionam a quais relações travar, quais locais ir, quais músicas escutar etc. etc. Só que o “isto” ou o “aquilo” é uma falácia em determinadas circunstâncias; muitos rótulos não conseguem abranger certas realidades. Até mesmo nas interações ultra distorcidas, cujo ato mais promissor é dizer “adeus”, certa pessoa envolvida pode apresentar lá suas qualidades.
Dito isso, ao contar minha história, torna-se inviável apresentar apenas aspectos bonitos sobre quem amo ou não. Vou acabar por expô-los para indicar o que passei. Por isso, para além de um grande agradecimento a todos que estão por perto - e são muitas pessoas, também peço uma espécie de desculpas. Tendo como base o meu sangue, diante do que tenho experimentado, digo ter uma amostra significativa sobre como as pessoas são idiossincráticas, complexas, e, por isso, estão distantes de apresentarem uma única faceta. Taxar rótulos duros sobre elas, categorizando-as tão só como boas ou más, heroínas ou vilãs, é reduzi-las. É ignorar as complexidades das águas que constituem um rio.
Um blog rico em nos provocar, obrigada pela partilha Tha, me tornei ainda mais sua leitoradora. Te amo
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